ao rever mails antigos, palavras perdidas que de vez em quando vêm ter comigo, encontrei um poema da Ana Marques Gastão que adoro... chama-se Nocturno nº11 e nada me faz mais sentido para o 100º post deste blog...
Nocturno nº 11
Subimos
pelo silêncio
quando a chuva
cria incerta
o poema
de cal e água.
O amor
é então
ar e peso
incapaz
de conter
a precisa forma.
Nada
é coeso.
A sombra
súbita e nítida
traz a memória
separada.
E teu sono
impõe um corpo
em frémito
ou voo
quando
baixa o sol.
Expande-te
um pouco mais
inclina a cabeça
nessa dor lúcida
de pequeno ser.
Há ternura
no mundo
e em cada
ínfimo grão
a fadiga
cresce solúvel
na noite fechada.
Ana Marques Gastão
0 perspectivas:
Enviar um comentário