pedaços

28 Março 2010

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ao rever mails antigos, palavras perdidas que de vez em quando vêm ter comigo, encontrei um poema da Ana Marques Gastão que adoro... chama-se Nocturno nº11 e nada me faz mais sentido para o 100º post deste blog...

Nocturno nº 11

Subimos
pelo silêncio
quando a chuva
cria incerta
o poema
de cal e água.

O amor
é então
ar e peso
incapaz
de conter
a precisa forma.

Nada
é coeso.
A sombra
súbita e nítida
traz a memória
separada.

E teu sono
impõe um corpo
em frémito
ou voo
quando
baixa o sol.

Expande-te
um pouco mais
inclina a cabeça
nessa dor lúcida
de pequeno ser.

Há ternura
no mundo
e em cada
ínfimo grão
a fadiga
cresce solúvel
na noite fechada.

Ana Marques Gastão

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