pedaços

30 Setembro 2007

feeling deeply...

acordo com uma estranha mas não invulgar vontade de chorar. abro os olhos e as imagens da nossa vida começam a reorganizar-se na minha mente. parecem livros a serem colocados em estantes de uma forma desorganizada. folhas soltas colam-se aos meus olhos com momentos apenas nossos, momentos que quero repetir.

abro o telemóvel, como tenho feito todos os dias instintivamente quando acordo, na esperança de ter notícias tuas. vejo as horas, é demasiado cedo para acordar, mas demasiado tarde para esperar seja o que for. imponho-me a mim mesmo virar-me para o outro lado, voltar a dormir, mas a mente já iniciou um processo de raciocínio constante e não está disposta a voltar para o estado de stand by.

após algum tempo a rebolar de um lado para o outro, a cabeça já a doer e os olhos a arder, a sensação de vazio, o coração apertado, já me invadiu a alma. levanto-me e meto-me debaixo do chuveiro. a rotina diária vai recomeçar e a frustração de tudo o que está à volta vai novamente morder mais um pouco do meu ser e consumir-me um pouco mais. tu, que eras a minha âncora, que és a razão principal para que tudo valha a pena, neste momento és um olhar distante que eu teimo em fazer reaproximar.

penso em ti. lembro o teu corpo no meu, os teus lábios nos meus, o teu olhar que me apazigua, o teu sorriso que derrete qualquer pedaço de gelo que possa existir dentro de mim. a água quente escorre pelo meu corpo, a minha esperança é que lave também a minha alma, a dor. já não me sentia assim há algum tempo, mas também não tive nunca a ilusão de que não voltaria a sentir-me assim, só não estava preparado para que fosse agora.

saio do banho. enrolo-me na toalha para me secar. largo a toalha no chão e percorro nu o chão da casa. pego num cigarro e acendo-o, olho para a rua enquanto aspiro o fumo.

é imperativo que a paciência, a temperança, a calma, absorvam os meus medos, os meus receios, as minhas lágrimas. deixar o tempo passar, libertar-te e libertar-me para possamos novamente ser um só. por vezes é preciso reconstruir as casas da nossa alma, aqueles pequenos espaços onde está o 'eu', onde está o 'tu' e onde está o 'nós'.


"...i thought that maybe we could try to
clear and rebuild this haunted home
i'll be glad to help you just tell me what to do

why don't you tell me what to do?
maybe you're scared too..." (*)


ajuda-me a reconstruir esta casa.

(*) david fonseca - haunted home

1 perspectivas:

pedro disse...

Sem estar presente, é como se estivesse. Estou aqui, para os altos e baixos! Abraço grande!