*
acho que todas as pessoas deviam, durante largos períodos das suas vidas, andar de transportes públicos. comboios, autocarros, metropolitano, barco, qualquer coisa!, mas deviam!
ao longo dos anos, andar de transportes públicos fez-me olhar para as pessoas de forma diferente. basicamente fez-me olhar para elas! e isto é um exercício que, acho, dá-nos duas valências ao longo da vida. uma delas é o olhar para os outros e perceber nas semelhanças e nas diferenças que todos temos. a outra, perceber, compreender, distinguir expressões, sentimentos, movimentos, tiques, hábitos. provavelmente outras pessoas encontrarão outro tipo de vantagens, ou então olharão para este texto e vão-se rir com a ideia da "vantagem" de andar de transportes públicos, de acordar não sei quantas horas mais cedo, de entrar por vezes num comboio cheio de gente e sentir-se como autêntica sardinha em lata. não contesto nenhuma das razões que possam apontar acerca das "desvantagens" de andar de transportes públicos, mas sem dúvida nenhuma que eu gosto particularmente destas duas "vantagens".
ao longo dos anos, andar de transportes públicos fez-me olhar para as pessoas de forma diferente. basicamente fez-me olhar para elas! e isto é um exercício que, acho, dá-nos duas valências ao longo da vida. uma delas é o olhar para os outros e perceber nas semelhanças e nas diferenças que todos temos. a outra, perceber, compreender, distinguir expressões, sentimentos, movimentos, tiques, hábitos. provavelmente outras pessoas encontrarão outro tipo de vantagens, ou então olharão para este texto e vão-se rir com a ideia da "vantagem" de andar de transportes públicos, de acordar não sei quantas horas mais cedo, de entrar por vezes num comboio cheio de gente e sentir-se como autêntica sardinha em lata. não contesto nenhuma das razões que possam apontar acerca das "desvantagens" de andar de transportes públicos, mas sem dúvida nenhuma que eu gosto particularmente destas duas "vantagens".
sou fã de comboios. para mim é o melhor transporte público, principalmente em dias de férias. passo um ano inteiro à espera de fim de julho e fim de agosto (pelo meio, normalmente, estou eu de férias). é apenas nessas alturas que consigo a proeza de me sentar num comboio da linha de sintra(!), já que quando apanho o comboio em sete-rios no sentido de alcântara vou sempre sentado, geralmente no primeiro andar do conhecido comboio verde.
mas gosto dos comboios com pessoas dentro.
*
às segundas as caras são sempre as mesmas, ensonadas, muitas vezes sem energia (a energia só se recupera nos últimos dois dias da semana, devido à perspectiva dessa coisa chamada "fim-de-semana"), às vezes mais a dormir do que acordadas. depois as caras vão-se compondo, embora haja muitas caras que denunciam uma vida menos suave, mas já lá vamos... às vezes encontram-se os fãs da abstração matinal - eu próprio, muitas vezes, o sou! -, a malta dos phones nos ouvidos, óculo de sol (e livro, no caso da abstracção matinal total). no fim da semana as caras têm outro ar, principalmente no caminho de volta.
também gosto de observar o que as pessoas usam para se distrairem nas suas viagens diárias. hoje em dia as pessoas substituíram maior parte dos seus objectos distractivos de viagem por um conjunto muito mais restrito de objectos. a saber: livros, revistas, jornais diários gratuitos, telemóveis e máquinas de jogos. têm começado a ficar para trás (embora ainda se veja de vez em quando) as cartas (no caso dos grupos de amigos da mesma idade saídos do expediente 10-18) e a clássica malha ou tricot. a parte "boa" da "coisa" é que parece que estamos mais cultos, lemos mais livros, mais revistas, estamos mais informados e até existem aquelas pessoas que aprenderam finalmente a mexer no e-mail lá do trabalho para enviar a mensagem para comentar da eleição municipal ou da fábrica que despediu 150 trabalhadores, ou mesmo do planeta que tem água gelada ou do processo judicial do momento.
*
acho uma certa piada aperceber-me, diariamente, dos hábitos das pessoas, muitas vezes caras que passam a ser mais conhecidas e que, num determinado horário, numa determinada carruagem, nos habituamos a ver. habituei-me por isso a olhar para as pessoas com outros olhos, se calhar tentando perceber o que está por detrás de cada pessoa, de cada expressão, observar os mais ínfimos pormenores. às vezes olhamos e denuncia-se uma alegria, ou uma tristeza, uma noite mal dormida, uma preocupação. há os nervosos miudinhos, os gestos, os estilos de roupa, as caras bonitas e as caras feias, coisas que gostamos de ver ou observar, não por pura cusquice, mas apenas pelo simples prazer de observar, sem qualquer segunda intenção. há coisas que não se gosta, que nos irrita, coisas que abominamos e das quais afastamos o olhar. mas apercebemo-nos, ao longo dos tempos, ao longo de muitos olhares, da multiplicidade de uma realidade humana e só esse conhecimento que se adquire, muitas vezes, faz-me sorrir.
tudo isto pode parecer ridículo, mas fez-me hoje pensar um pouco. e pensar é algo que fazemos tão pouco nos tempos que correm...
1 perspectivas:
Bem...eu já andei de transportes publicos e também observava as pessoas. Aprendemos imenso, principalmente, descodificamos cada sinal, atitute, traço. Enriquece-nos imenso e desenvolvemos o nosso conhecimento sobre o ser humano e nós próprios.
Parar e pensar é de facto raro.
Boa Leo
Bjs
Enviar um comentário