pedaços

08 Abril 2007

blackout

quis deixar o presente para trás por momentos e sem querer acordei violentamente o passado e os seus fantasmas. não estava preparado, confesso, não o poderia prever. mas às vezes estas pequenas viagens no tempo, embora façam doer feridas já cicatrizadas, embora façam reabrir feridas que pensávamos fechadas, fazem-nos também ver tudo por outros olhares; mais frios, mais racionais, menos inflamados, ainda que outras fogueiras se reacendam levemente.

é interessante voltar aos sítios e ver o passado à frente, cada memória relembrada. um beijo, uma carícia, um sonho que se desvaneceu, as lágrimas que se deixaram cair. e perceber hoje que crescemos, que outros sonhos substituíram os anteriormente criados, outros beijos nos saciaram a sede da alma, outras carícias nos arrepiaram, outras lágrimas juntaram-se às já derramadas.


não estava preparado para acordar o passado, mas acho que raramente estamos preparados para sermos invadidos pela dicotómica sensação de ganho e perda em simultâneo. não estava preparado para o teu abraço, para ser traspassado pelo teu olhar, para ser invadido e desarmado. creio que houve momentos em que os grãos de areia pararam de cair na ampulheta das nossas vidas, mas invariavelmente eles continuam a cair, relembrando-nos do presente, obrigando-nos a pensar sobre o futuro.

levantamo-nos, erguemos novamente as barreiras que (pensamos) nos protegem, olhamos em frente e seguimos caminho. e os grãos de areia das ampulhetas das nossas vidas continuam a cair...




* blackout é o título de uma música dos muse que podia servir de banda sonora a este post...

1 perspectivas:

David disse...

Por la vera del rio llegaba el sonido hasta mi de una charanga
Y siguiendo mi oído encontré aquel camino y también la charanga
Gente que canta bailando y bebiendo ribeiro
Y una Chiquilla llorando bajo un castiñeiro
Dime quien eres Muchacha de triste mirar
Yo, soy un caminante perdido... perdido y tu amigo
Me contó que su bien nunca mas volvería
Y su voz le temblaba y su llanto seguía
Yo le hablé de otro amor y de cosas bonitas
Ella no contestó y su llanto seguía
Canta tus penas al aire y ven conmigo
Pon tu mano en mi mano, soy tu amigo
Entre vueltas y vueltas nació su sonrisa
Entre gentes sencillas, entre besos, entre risas.
Entre vueltas y más vueltas se perdió de mi ¿Donde estás?
Guardo un recuerdo de ti, tu sonrisa entre la risa de la charanga
Cuando me fuí pasé bajo aquel castiñeiro
Aún la gente cantaba y bebía ribeiro
Me alejé del lugar por el mismo camino
Y el recuerdo llegaba hasta mí por el río
Dime quien eres Muchacha de triste mirar
Yo soy un caminante perdido...perdido, tu amigo.

(Juan Pardo)