pedaços

12 junho 2010

sei...

sei que por vezes não te dou tanto quanto mereces... como se fosses um parente pobre ou algo assim. mas não é... por mais estranho que tudo isto possa parecer, estás sempre em mim, e este espaço onde te expandes muitas vezes vive no meu cérebro, na minha mente, nas minhas ideias. é aí que todas as letras se enquadram, e muitas vezes nem vêem a luz do dia, apenas a luz do meu pensamento.

talvez seja invulgar senti-lo, até mesmo insano, mas por vezes, já o disse, há palavras que não devem sair de mim, ou provavelmente até deviam. não interessa, não sei, também não é particularmente importante. o importante é que existes.

por isso quis dar-te novos traços, novos olhares, trazer-te novamente aquele peculiar tom que tantos nos agrada... já vão uns anos, ou talvez apenas uns segundos... eu sei... e tu, que és eu, também o sabes.

28 março 2010

100 posts

ao rever mails antigos, palavras perdidas que de vez em quando vêm ter comigo, encontrei um poema da Ana Marques Gastão que adoro... chama-se Nocturno nº11 e nada me faz mais sentido para o 100º post deste blog...

Nocturno nº 11

Subimos
pelo silêncio
quando a chuva
cria incerta
o poema
de cal e água.

O amor
é então
ar e peso
incapaz
de conter
a precisa forma.

Nada
é coeso.
A sombra
súbita e nítida
traz a memória
separada.

E teu sono
impõe um corpo
em frémito
ou voo
quando
baixa o sol.

Expande-te
um pouco mais
inclina a cabeça
nessa dor lúcida
de pequeno ser.

Há ternura
no mundo
e em cada
ínfimo grão
a fadiga
cresce solúvel
na noite fechada.

Ana Marques Gastão

01 fevereiro 2010

algo especial

há muitos meses que nenhuma palavra vinha parar a este blog. mas hoje ouvi palavras que precisavam de ter eco neste espaço, quase, quase, quase nos 100 posts de vida (este, na verdade, é o 99º). e por isso mesmo, retirado de "ouvi dizer", dos ornatos violeta, na mítica voz de vítor espadinha, fica aqui a minha dedicatória...


«A cidade está deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga, ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura»

09 julho 2009

usem protector solar

primeiro que tudo, obrigado querida mafalda por me relembrares do quão maravilhoso este video é!

a primeira vez que o vi, foi numa reunião da empresa, depois de um jantar de natal... e tocou-me... e nunca mais o esqueci!

hoje olho para este video e penso: que extraordinária lição de vida! pena que muita gente não a siga... oiçam, leiam, disfrutem deste video. há qualquer coisa, num segundo qualquer deste vídeo, que vos vai fazer pensar no rumo que a vossa vida leva... (a mim fez... não só um segundo... muitos mesmo!)


01 julho 2009

os primeiros passos...

... de um caminho fazem-se pé ante pé, numa nova cadência, numa nova alma. algo que nos levanta e nos faz andar. algo que nos surge lado a lado, pé ante pé, entre silvas e cardos, pedras e lamas. mas seguros sentimos que devemos seguir por esse mesmo caminho que nos mete por vezes medo, que por vezes é escuro e sombrio, que volta e meia nos faz chegar aos ouvidos o "não és capaz"; e para de seguida nos impelir os olhos aos céus e ver que o sol lá pelo meio das folhas brilha e nos mostra que este novo caminho, cujos primeiros passos ainda estamos a dar, é o que devemos seguir...


04 junho 2009

tiananmen, 20 anos depois

há 20 anos atrás, na noite de 3 para 4 de Junho de 1989, deu-se na praça de Tiananmen um brutal massacre que ainda hoje está envolto em mistério.

desde meados de abril que milhares de estudantes e trabalhadores protestavam através de marchas pacíficas pelas ruas de pequim contra as dificuldades económicas e a repressão sentida pelo partido comunista chinês. e na noite de 3 para 4, após a invocação da lei marcial, o exército popular de libertação foi "lançado" ao povo para aniquilar a manifestação com tanques e infantaria. o resultado foi um número incerto de mortos, seguramente entre 2.000 e 10.000 e mais um número semelhante de feridos.

até hoje os números são incertos e escondidos pelo governo chinês. 20 anos depois, com uma china super poderosa nos mercados industriais mundiais, com um comunismo que roça cada vez mais o capitalismo e a certeza que as condições sociais não irão continuar iguais nos próximos tempos, continua-se a não saber o número de pessoas que perderam a vida por causa de uma mentalidade retrógrada.

ainda hoje, 20 anos depois, o sistema político chinês continua a bloquear informação ao povo, como noticiam os jornais relativamente ao estranho acesso a diversos sites e comunidades virtuais na internet.

hilary clinton pediu ontem ao governo chinês que divulgasse os números do massacre. como o jovem que, anonimamente, se pôs à frente de uma fila de tanques e a fez parar, todos nós nos devemos cada vez mais por à frente de filas de tanques que impeçam a liberdade. infelizmente, ainda existem demasiadas praças de Tiananmen pelo mundo inteiro.




fotógrafo: Stuart Franklin Magnum
fonte: life.com

25 abril 2009

neste dia, hoje, há 35 anos atrás e todos os dias...


devemos olhar a cada momento o mundo pelos olhos da criança que existe dentro de nós.

bela história para pensar...

o leão e o rio


depois das grandes chuvas, o leão foi confrontado com o ter de atravessar o rio que o cercara. nadar não fazia parte da sua natureza, mas era forçado a fazê-lo se queria sobreviver. o leão rugiu e investiu contra as águas do rio que quase o afogaram antes de ele recuar. foram muitas as vezes em que tentou a travessia deste moda, mas em todas elas fracassou. exausto, o leão deitou-se e foi quando se acalmou que ouviu o rio dizer:
- nunca lutes contra o que não existe.
cautelosamente, o leão olhou à sua volta e perguntou:
- o que é que não existe?
- o teu inimigo - respondeu o rio. - tal como tu és um leão, eu sou apenas um rio.
o leão então sentou-se, muito tranquilo, a estudar o curso do rio. passado algum tempo, dirigiu-se ao ponto em que a corrente fluia para a margem e, ao deixar-se levar por ela, flutuou até ao outro lado.


in não leve a vida tão a sério, hugh prather, pergaminho